Por alguns momentos,é como se houvesse assim uma espécie de esperança. De possibilidade de esperança.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Suas obsessões seguem padrões.
Coisas boas não vão bater na sua porta se você deixar o jardim bem arrumado. Você tem que sair atrás delas com uma rede de caçar borboletas. Coisas boas são pequenas e escorregadias. Elas sabem se esconder muito bem. Mas as vezes a gente dá sorte, e captura uma das mais brilhantes. É claro que apartir do momento que você a pega, ela está destinada a morrer. Mas que importa? O número de lágrimas que é derramado depois não vai apagar aquele primeiro sorriso. É só como tem que ser.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
L'excessive
As luzes oscilam na estação, enquanto alguém, alheio a qualquer um em sua volta, cantarola uma melodia levemente famíliar. 30. Me inquieto, de subto nervosa e apreensiva. A música vira um suave sussurro, acariciando minha mente. Ideias dormentes a tanto tempo -quanto?- acordam de seu sono conturbado e trazem vida à tudo o que meu subconciente estivera lutando pra esquecer. Risadas sonoras como plano de fundo de um filme piégas passam entre meus olhos e, tendo como telespectadora, minha alma. 20. Um calor morno tomava conta do meu corpo enquanto minhas lembranças e anseios iam sendo desmembrados, lágrima por lágrima. Meu coração, um cliché barato de quinta categoria continuava guardando um sorriso em particular, por mais que toda a razão contestasse a estupidez da escolha. Eu, tola em meus devaneios, me apaixonei por cada lembrança, por cada vestigio de algo que já não era. 10. Em algum lugar, uma batalha antiga era travada, entre o que quero e o que preciso. Orgulhosa, insisto. Teimo no erro. Mistifico, engano a mim mesma, ainda sabendo que o perdedor só pode ser eu. 5. Mas finjo que não, e continuo lutando, brandindo minha furia -de que?- contra os ventos, para que, por um instante que seja, me sinta um pouco menos vazia. 4.
O trem chega e a estação inteira acorda. 3. Todos seguem apressados seus caminhos, carregando malas lotadas e corações apertados. 2. Lenços são usados e despedidas chorosas são feitas na ultima hora. 1. A fumaça levanta e o trem segue, espalhafatoso, seu rumo, com o peso da promessa que trazem os novos horizontes.
Algumas horas depois, sentada no mesmo banco, espero paciente o horário da partida. Perdida em mim mesma, um estranho passa ao meu lado, carregando um cheiro estranhamente famíliar...
30.
domingo, 4 de setembro de 2011
Le vent nous portera.
Você começa a se lembrar do sorriso e dos olhos mesclados em alguma tonalidade entre o azul e o verde. Você se lembra da voz e daquele sotaque francês engraçado arranhando o inglês enquanto ele tentava explicar algum ditado famoso que você nunca tinha ouvido falar. Você se lembra das piadas que não faziam sentido e das longas caminhadas em meio ao vento. Lembra de como o tempo escapava entre seus dedos, por mais que você quisesse manter aquele momento para sempre. Você se lembra de como era adorável se sentir tão ingenua, tão protegida e -tão tão- livre. Nada mais importava. Ninguém, em lugar algum do mundo importava, só aquele momento, encapsulado cuidadosamente na memória.
E é como se, depois de tudo -tudo o quê?- você ainda fosse embora assim que o sol nascesse. Porque você foi. Seu ônibus partiu sem nenhuma cerimônia, e não houve cena romântica -como bem sabia- de um ultimo "Love you despite the distance" que contivesse meu ânimo, ou qualquer cliché barato que me fizesse sentir melhor. Você foi embora, pra onde quer que te levassem.
Não cairam lágrimas, embora o peito tenha doído. E dói até hoje.
Tudo bem, sejamos justos, eu também parti. Parti não, voltei. E é isso que não engulo. Esse foi o momento em que percebi que preferia estar em qualquer outro lugar, menos aqui. London, Paris. Uma passada em Dubai, alguns dias em Berlin... Até Zurich, pra completar o abecedário. A mala ainda está aberta. Existem fotos polaroid coladas na parede da sala mostrando sorrisos amarelos meio desfocados como plano de fundo. E a noite eu ainda te espero, mesmo sabendo que não virá, e mesmo sabendo que vai doer mais uma vez, só porque não consigo. Não consigo deixar passar, esquecer, ou pelo menos tirar da minha mente por alguns segundos. Eu virei saudade. Meu fim, triste e seco é perceber, só agora, no que me transformei: um punhado de nostalgia.
Não é como se fosse sua culpa. Talvez seja minha, talvez da vida, ou do tempo. Ou mais provavelmente, culpa de ninguém, pois não há culpa em tais coisas.
Sem me estender demais -pois o assunto vira faca que não corta, e tamanha repetição me desgasta-, só queria te dizer, por fim, que me faz falta. Me faz muita falta aquele sorriso despreocupado que eu conheci por algumas noites. E aqui, a verdade -como costuma ser- é simples e fatal: pessoas certas acontecem. Distâncias erradas entre elas também.
Porque, apesar de tudo, você sempre vai ser o meu francês. O meu Pierre.
sábado, 21 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
Não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.
Vem comigo.
Vamos embora para um lugar limpo. Deixe tudo como esta. Feche as portas, não pague as contas e nem conte a ninguém. Nada mais importa.
Agora você me tem, agora eu tenho você. Nada mais importa.
O resto? Ah, os restos são restos. E não importam.
Não importa, não importa.
Largo tudo. Venha comigo pra qualquer outro lugar.
Foi em Abril, dirá abril e maio. Ou Setembro, Outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo, numa cidade remota.
E vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo leve, e vou dizendo longo sem pausa: – gosto muito de você, gosto muito de você.
Agora você me tem, agora eu tenho você. Nada mais importa.
O resto? Ah, os restos são restos. E não importam.
Não importa, não importa.
Largo tudo. Venha comigo pra qualquer outro lugar.
Foi em Abril, dirá abril e maio. Ou Setembro, Outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo, numa cidade remota.
E vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo leve, e vou dizendo longo sem pausa: – gosto muito de você, gosto muito de você.
Meu coração tá ferido de amar errado.
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